UMA EDUCAÇÃO DEMOCRÁTICA NÃO SEGREGA: INCLUI, INTEGRA

Clara Rosa Werner – Discurso proferido no II Encuentro Mundial de Educación Especial – Cuba – 1998

 

Prega-se uma sociedade mais justa, menos preconceituosa. Fala-se no importante papel da educação como instrumento de mudança dessa sociedade. Leis são criadas preconizando a democratização do ensino, a inclusão – uma educação independente de cor, credo, raça ou deficiência.

Atualmente, fala-se muito, porém, ainda faz-se pouco.

Basta o sujeito ser um pouquinho “diferente”para que tenha sobre si dois tipos de olhar: o da piedade e/ou da exclusão.

Esse fato acontece em todas as sociedades: o homem ainda não sabe lidar com as diferenças. Ele precisa aprender. Cabe à escola ensiná-lo. Isso se faz possível através da convivência, da vivência e de um modelo educacional que tem como meta o respeito à individualidade, ao ritmo de cada um. Uma educação que se preocupe com a competência e não com a deficiência – preparada para trabalhar com a bagagem que cada aprendente traz, valorizando-o, procurando melhorar sua auto-estima e o seu desejo de aprender.

Sabemos que integrar não é forçar uma convivência e que a escola tem uma importante função acadêmica, devendo se preocupar em preparar uma equipe que possa saber lidar com as diferenças, tanto na área cognitiva como na emocional ou social.

Acreditamos que o alicerce para a construção de uma educação democrática é a aceitação e a conscientização de que todos têm o direito de viver e de conviver em sociedade e que cabe à escola o papel de formar seus alunos para que possam exercer de fato sua cidadania, tendo ou não dificuldades.

Ao trabalharmos com alunos portadores de necessidades educativas especiais, nos deparamos com dois caminhos a seguir: o da inclusão para aqueles que freqüentam um sistema de ensino regular, tendo a escola que criar uma serie de instrumento para adaptá-los, como o uso da informática na sala de aula, classes pequenas e atendimentos mais individualizados. O outro caminho é o da integração – para aqueles que por impedimento de ordem cognitiva, emocional ou social, necessitam de atendimentos especializados no que diz respeito à área acadêmica, freqüentando as classes especiais, de Reforço Pedagógico ou Profissionalizante, porém, participando do mesmo espaço escolar, dos eventos e de atividades esportivas e criadoras.

Pautamos nosso trabalho no pensamento de nossa mestra, Solange Guimarães Mussi: “Educar é mais do que ensinar a ler, a escrever ou calcular; é preparar o indivíduo para o mundo para que ele possa vê-lo, julgá-lo e transformá-lo”.

É nesse processo de transformação de mundo que acreditamos. Procuramos despertar na nossa comunidade escolar o interesse voltado às diversidades e para um trabalho cooperativo, promovendo valores que facilitem a convivência, combatendo a marginalização, se preocupando com a justiça social.

Motivados pela nossa profunda crença numa sociedade mais humana num novo milênio que se aproxima, é que conclamamos a todos para uma reflexão e prática de uma educação que não segrega: INCLUI, INTEGRA!

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